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There are many challenges facing young women today. One major challenge for women in Eastern and Southern Africa is the lack of basic knowledge of and access to crucial sexual health education and services, including issues related to HIV and pregnancy. We recognize the need to empower young people, especially girls, in order to remove the stigma and discrimination associated with HIV and pregnancies. One way to do this is through education.

Some young girls are blamed for their HIV infection and accused of being immoral. Others end up on the streets because they have nowhere to go. Nellie, an inspiring girl from Kenya knows what it feels like to be scared and alone in the face of adversity. Nellie shared her story, through a handwritten note, in hopes of helping other young people overcome similar challenges.

March 8 2015, marks International Women’s Day. A day that recognizes the adversity that many girls and women face around the world and the courage it takes to overcome. We truly admire Nellie’s strength in sharing her difficult story and are certain that she will leave a positive legacy, in her community and beyond. Thank you, Nellie.

Take a stand on #InternationalWomensDay and show your support for all the amazing women around the world!

A Change

A letter written by Nellie

“I’m very sorry to inform you that you are HIV positive, but on the upside, you are going to have a baby,” the doctor informed me. Tears welled up in my eyes. These were tears of deep bitterness and they stung my eyes. That monster, that monster infected me. He made my whole life crash right before my eyes. I was now having his baby, a constant reminder of that dreadful night that he took my innocence without my consent. “Thank you” I was able to utter as I walked out of the doctor’s office.

“I’m very sorry to inform you that you are HIV positive, but on the upside, you are going to have a baby,” the doctor informed me.

I was only seventeen, a student, pregnant and to top it all off HIV positive. Where would I start? How long would I live? Would I even have the baby? These questions crossed my mind as I walked in the streets very paranoid; in my mind everyone knew my status. I could hear them whisper about it as I walked past. I tried fighting back my tears but I wasn’t able to as they slowly started to trickle down my cheeks.

I finally returned home “what’s going on,” my mother asked. Without even uttering a word I started to sob uncontrollably. “Mum… I’m pregnant… and HIV positive.” She just looked blankly at me and said, “Where did I go wrong with you? Did I raise you like this? Imagine what people will say about our family.” Was this really happening? Wasn’t she even going to ask how it happened? I was honestly all alone.

Soon word spread and everywhere I walked I could see people move away from me and hear whispers echoing. “There is that girl with the disease,” “She is so loose of morals,” “Surely she was not raised in the right family.” All I could think was “If they only knew.” 

I saw my long lost friend Emily. A smile curved on my face as I made my way towards her. “No!” she protested. “Don’t touch me! I don’t want to get the virus!” she exclaimed as she walked away. Shock overcame me and I began to question whether I was a monster that should be avoided.

Shock overcame me and I began to question whether I was a monster that should be avoided. 

The baby was another issue. I thought of abortion more than once but that would just add guilt to my already miserable life. I decided to keep the baby, even though it would remind me of the horrible night. It was never the baby’s fault.

All my days have a challenge. Stigmatization, one illness after the next, the huge amount of drugs I have to take each day, and worst of all the traumatization. I can’t even close my eyes without flashes of that heinous act being done to me, repeatedly crossing my mind. It’s not my choice to be pregnant or HIV positive. Everyone assumes it’s because of my immorality. But I made a choice to not die as ‘that girl who had the virus’ but live as ‘the girl who made a change,’ ‘the girl who lived her life and is an inspiration to many victims.’ 

I promise I will leave a legacy, a change, for one, I will accept my status and work towards helping victims with HIV live a positive life.

 

Special thanks to Nellie and LVCT Health.[:pt]

As raparigas jovens enfrentam muitos desafios hoje. Um dos maiores desafios para as mulheres da África Oriental e Austral é a falta de conhecimentos básicos e de acesso à educação da saúde sexual e a serviços essenciais, incluindo problemas relacionados com o VIH e a gravidez. Reconhecemos a necessidade de capacitar os jovens, especialmente as raparigas, no sentido de eliminar o estigma e a descriminação associados ao VIH e às gravidezes. Um meio de o fazer é através da educação.

Algumas raparigas jovens são culpadas pela sua infeção do VIH e acusadas de não terem moral. Outras acabam nas ruas porque não têm para onde ir. A Nellie, uma rapariga inspiradora do Quénia sabe o que é sentir medo e sentir-se sozinha face à adversidade. A Nellie partilhou a sua história, através de uma nota escrita à mão, esperando ajudar outras pessoas jovens a vencer desafios semelhantes.

O dia 28 de março de 2015, marca o Dia Internacional da Mulher. Um dia que reconhece a adeversidade que muitas raparigas e mulheres enfrentam em todo o mundo e a coragem necessária para superar. Admiramos verdadeiramente a força da Nellie ao partilhar a sua história difícil e estamos certos que deixará um legado positivo na sua comunidade e para lá dela. Obrigado, Nellie.

Manifeste-se no #DiaInternacionaldaMulher e demonstre o seu apoio a todas a mulheres incríveis de todo o mundo!

UMA MUDANÇA

Uma carta escrita pela Nellie

“Tenho imensa pena de a informar que é seropositiva, mas o lado bom é que vai ter um bébé”, o doutor informou-me. As lágrimas cresceram-me nos olhos. Eram lágrimas de amargura. Aquele monstro, aquele monstro infetou-me. Ele destrui-me a vida à frente dos olhos. Agora vou ter o filho dele, uma lembrança constante daquela noite terrível em que ele me despojou da inocência sem o meu consentimento. “Obrigada” fui capaz de dizer ao sair do consultório do doutor.

“Tenho imensa pena de a informar que é seropositiva, mas o lado bom é que vai ter um bébé”, o doutor informou-me.

Tinha apenas 17 anos, era estudante, grávida e ainda em cima seropositiva. Por onde começar? Com iria viver? Será que ia ter mesmo o bébé? Estas questões atravessavam o meu pensamento ao andar nas ruas paranóica; no meu pensamento todas as pessoas sabiam da minha situação. Podia ouvi-las falar baixinho quando passava por elas. Tentei lutar contra as lágrimas mas não consegui porque corriam devagar pela minha face.

Finalmente voltei a casa “o que éque se passa”, a minha mãe perguntou. Sem dizer nada comecei a chorar sem controlo. “Mãe… estou grávida… e sou seropositiva”. Ela apenas olhou para mim sem emoção e disse, “por onde errei contigo? Foi assim que te criei? Imagina o que as pessoas vão dizer da nossa família”. Será que isto estava mesmo a acontecer? Será que ela nem sequer ia perguntar como aconteceu? Estava completamente sozinha.

Rapidamente a notícia se espalhou e por todo lado que passava podia ver as pessoas se afastarem de mim e ouvia o eco dos sussurros. “acolá vai a rapariga com a doença”, “Não tem moral” “Seguramente que não foi criada numa boa família”. O que podia pensar apenas era “Se eles soubessem”. 

Vi a minha antiga amiga Emily. Um sorriso desenhou-se nos meus lábios ao me aproximar dela. “Não” protestou ela. “não toques em mim! Eu não quero o vírus!” Exclamou enquanto se afastava. O choque apoderou-se de mim e comecei a questionar se eu era um monstro que devia ser evitado.

O choque apoderou-se de mim e comecei a questionar se eu era um monstro que devia ser evitado. 

O bébé era outro problema. Pensei no aborto mais de uma vez mas isso acrescentava culpa à minha vida miserável. Decidi ficar com o bébé, mesmo que fosse uma lembrança dessa noite horrível. Não era a culpa dele.

Todos os dias tenho um desafio. Estigmatização, uma doença atrás da outra, a grande quantia de medicamentos que tenho que tomar todos os dias, e o pior de tudo, o trauma. Não posso sequer fechar os olhos sem os flashes daquele ato hediondo atravessarem repetidamente o meu pensamento. Não escolhi estar grávida ou ser seropositiva. Todos assumem que foi pela minha imoralidade. Mas escolhi não morrer como ‘aquela rapariga portadora do vírus’ mas sim viver como ‘a rapariga que fez uma mudança’, ‘a rapariga que viveu a sua vida e é uma inspiração para muitas vitimas’. 

Prometo que deixarei um legado, uma mudança, aceitarei o meu estatuto e trabalharei no sentido de ajudar vitimas com VIH a viver uma vida positiva.

 

Um obrigado muito especial à Nellie e LVC Health.[:fr]Il y a beaucoup de défis posés aux jeunes femmes d’aujourd’hui. Un défi majeur pour les femmes en Afrique Orientale et Australe est le manque de connaissances de base et l’accès à l’éducation sexuelle et aux services de santé, y compris les questions liées au VIH et à la grossesse. Nous reconnaissons la nécessité de responsabiliser les jeunes, surtout les filles, afin d’éliminer la stigmatisation et la discrimination associées au VIH et aux grossesses. L’éducation est un moyen d’y parvenir.

Certaines jeunes filles sont blâmées pour leur infection au VIH et accusées d’être immorales. D’autres finissent à la rue parce qu’elles n’ont nulle part où aller. Nellie, une jeune fille du Kenya sait ce que l’on ressent lorsqu’on est effrayé et seul dans l’adversité. Nellie a partagé son histoire, grâce à une note manuscrite, dans l’espoir d’aider d’autres jeunes à surmonter des défis similaires.

Le 8 mars 2015 se déroule la Journée internationale de la femme. Une journée qui reconnaît l’adversité à laquelle de nombreuses jeunes filles et femmes sont confrontées dans le monde et le courage qu’il faut pour le surmonter. Nous admirons la force de Nellie partageant son histoire difficile et nous sommes certains qu’elle va laisser un héritage positif, dans sa communauté et au-delà. Merci, Nellie.

Prenez position sur #InternationalWomensDay et montrez votre soutien à toutes les femmes extraordinaires dans le monde entier!

Un Changement

Une lettre écrite par Nellie

“Je suis  désolée de vous informer que vous êtes séropositive, mais vous allez également avoir un bébé,” m’a annoncé le médecin.

Les larmes me montèrent aux yeux. C’étaient des larmes de profonde amertume qui piquaient les yeux. Ce monstre, ce monstre m’avait infecté. Ma vie s’est effondrée juste devant mes yeux. Je vais maintenant avoir son bébé, un rappel constant de cette nuit terrible où il a pris mon innocence sans mon consentement. “Merci” je parvins à prononcer alors que je sortais du bureau du médecin.

“Je suis désolé de vous informer que vous êtes séropositive, mais vous allez également avoir un bébé,” m’a annoncé le médecin.

J’avais seulement dix-sept ans, j’étais une étudiante, enceinte et pour corser le tout, séropositive. Où puis-je commencer? Combien de temps vais-je vivre? Est-ce que j’aurai le bébé? Ces questions ont traversé mon esprit alors que je marchais dans les rues, paranoïaque; dans mon esprit tout le monde savait mon statut. Je pouvais entendre chuchoter à ce sujet lorsque je passais. J’essayais de lutter contre les larmes mais je ne pouvais pas et elles ont lentement commencé à couler sur mes joues.

Je suis finalement rentrée à la maison. “Que ce passe-t-il?” m’a demandé ma mère. Sans même dire un mot, je commencé à sangloter, incontrôlable. «Maman, … Je suis enceinte … et séropositive.” Elle m’a seulement regardée fixement et m’a dit: “Où est-ce que je me suis trompée avec toi? T’ai-je élevée comme ça? Imagine ce que les gens vont dire à propos de notre famille. ” Est-ce que ça s’est vraiment passé? Elle va même me demander comment s’est arrivé? J’étais vraiment seule.

Bientôt la rumeur se répandit et partout où j’allais je pouvais voir les gens s’éloigner de moi et entendre leurs murmures résonner. “C’est la fille malade”, “Elle manque tellement de morale”, “Elle n’a probablement pas été élevée dans une bonne famille.” Tout ce que je pouvais penser était “Si seulement ils savaient.”

Je vis mon amie de longue date Emily. Un sourire illumina mon visage alors que je marchais à sa rencontre. “Non!” A-t-elle protesté. “Ne me touche pas! Je ne veux pas attraper le virus! “Hurla-t-elle en s’éloignant. Je fus surmontée par le choc et me mis à me poser la question de savoir si j’étais un monstre qu’on devait éviter.

Le choc m’envahit et je me mis à me poser la question de savoir si j’étais un monstre qu’on devait éviter.

Le bébé était un autre problème. Je pensais à l’avortement plus d’une fois mais cela aurait simplement ajouté la culpabilité de ma vie déjà misérable. Je décidais de garder le bébé, même si cela me rappelait cette nuit horrible.Cela n’a jamais été la faute du bébé.

Chaque jour est un défi. La stigmatisation, une maladie après l’autre, l’énorme quantité de médicaments que je dois prendre chaque jour, et le pire de tout,  le traumatisme. Je ne peux même pas fermer les yeux sans voir l’acte odieux que j’ai subi traverser à plusieurs reprises mon esprit. Ce n’est pas mon choix d’être enceinte ou séropositive. Tout le monde suppose que cela est dû à mon immoralité. Mais j’ai fait le choix de ne pas mourir comme «la fille qui avait le virus», mais de vivre comme «la fille qui a permis un changement, ” la fille qui a vécu sa vie et qui est une source d’inspiration pour de nombreuses victimes».

Je promets de laisser un héritage, un changement. Je vais accepter mon statut et travailler à aider les victimes du VIH à vivre leur vie de façon positive.

 

Merci à Nellie et à LVCT Health.[:]

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